Mandato para ministros do STF não é a solução

Últimas Notícias - Dr. Miguel Godoy

O diagnóstico equivocado da crise da Suprema Corte

Tenho observado com preocupação como a tese de instituição de mandatos com prazo determinado para ministros do STF vem sendo apresentada por setores políticos como a solução definitiva para as crises da Corte. Trata-se de uma proposta sedutora na retórica, mas que parte de um diagnóstico flagrantemente equivocado sobre as causas reais das disfunções do tribunal.

Incentivos perversos e riscos à independência judicial

O tempo de permanência no cargo de ministro não explica, por si só, a proliferação de decisões monocráticas de urgência, a retenção de processos por meio de pedidos de vista desmedidos ou a personalização excessiva das deliberações. Pelo contrário: a substituição periódica de magistrados por mandatos curtos pode criar incentivos perversos altamente lesivos, como a preocupação dos julgadores com seu futuro profissional pós-tribunal e a vulnerabilidade a pressões de conjunturas eleitorais imediatas.

As reformas estruturais que realmente transformam o STF

O enfrentamento sério das crises do STF exige reformas processuais e de governança interna: fortalecimento do Plenário físico como espaço genuíno de deliberação colegiada, eliminação de medidas liminares solitárias em controle concentrado e a instituição de mecanismos independentes de integridade. A vitaliciedade é uma garantia da jurisdição constitucional que não deve ser descartada em favor de soluções ilusórias.

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